Revista Oficial do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente / UERJ
NESA Publicação oficial
ISSN: 2177-5281 (Online)
| Artigo Original | Imprimir Páginas 7 a 18 |
Autores: Carolina Viveiro1; Marília Marques2; Rui Passadouro3; Pascoal Moleiro4 1. Licenciatura em Medicina. Interna de Formaçao Específica em Pediatria, Serviço de Pediatria do Hospital de Santo André - Centro Hospitalar Leiria-Pombal, Portugal Carolina Viveiro Recebido em 13/09/2013 Como citar este Artigo Descritores: Adolescente, internet, Portugal.
Resumo:
INTRODUÇAO
Desde a década de 90, o uso da internet rapidamente se generalizou, sobretudo entre a populaçao adolescente, tornando-se uma atividade comum. A semelhança de outros países ocidentais, Portugal apresenta elevados níveis de utilizaçao da internet entre a populaçao jovem. Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) em 2012, a percentagem de usuários da Internet na faixa dos 10-15 anos era 95%, substancialmente mais elevada do que no grupo etário dos 16-74 anos (60%)1. Na faixa etária dos 10-15 anos, a percentagem de usuários da internet ultrapassava a de utilizaçao de celular (93%)1. Com a crescente popularidade e fácil acesso à internet, sua utilizaçao abusiva é uma preocupaçao, já que a adolescência é um período crítico de vulnerabilidade a comportamentos de dependência, sendo os adolescentes aparentemente mais susceptíveis a padroes de uso patológico da internet (UPI) comparativamente à populaçao adulta2,3. Por outro lado, a liberdade que a internet oferece expoe os adolescentes a conteúdos impróprios (de caráter violento, como o ciberbullying, pornográfico, racista ou pedófilo), o que levanta graves problemas em termos de proteçao a menores de idade. O UPI, também designado de uso problemático ou dependência da internet, é um conceito polêmico e ainda nao claramente definido. Surgiu em 1995 com Goldberg e foi tornado conhecido por Young em 1996. Inicialmente, Young definiu esta entidade a partir dos critérios da DSM-IV para a dependência de substâncias, que posteriormente atualizou, adaptando os critérios do jogo patológico, para elaborar a escala de dependência de Internet de Young (EDIY)4. Shapira et al., em 2003, propôs uma noçao diagnóstica mais abrangente, classificando-a como uma perturbaçao do controle de impulsos5. O UPI é definido como uma preocupaçao excessiva e mal-adaptável ao uso da internet, experienciada como a sua utilizaçao irresistível e incontrolável por períodos mais longos do que o desejado5. O uso de internet, ou a preocupaçao com o seu uso, causa significativa angústia ou perturbaçao no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes, e o seu uso excessivo nao ocorre durante períodos de mania ou nao é melhor explicado por outra patologia5. Independentemente da dificuldade em sua conceituaçao e definiçao, já foram publicados diversos artigos, estabelecendo uma relaçao entre o uso abusivo e o aparecimento de problemas de saúde física e mental6. Assim, o uso abusivo está muito associado a comorbilidades como: perturbaçao de hiperatividade e déficit de atençao, depressao, ansiedade, baixa autoestima, impulsividade, timidez e ideaçao suicida7. Outros sintomas, nomeadamente físicos, como a cefaleia e dor musculoesquelética, mas também problemas de sono e obesidade, têm sido associados ao uso excessivo da internet6. Contudo, e apesar das repercussoes negativas descritas, sobretudo em situaçoes de uso abusivo, é importante mencionar que o uso de internet também apresenta aspectos positivos, constituindo-se como um veículo para promoçao o desenvolvimento cognitivo, social e físico dos adolescentes8. MÉTODOS Trata-se de um estudo transversal descritivo baseado na aplicaçao de um inquérito dirigido a alunos do 3º ciclo do ensino básico e secundário, com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos, de sete escolas do Concelho de Leiria, Portugal. Os dados foram coletados entre maio e junho de 2011. Elaborou-se um questionário anônimo, que foi entregue e preenchido pelos alunos, após aprovaçao pelas comissoes executivas das escolas participantes. Os questionários foram entregues pelo professor responsável pela turma selecionada e preenchidos durante o tempo letivo. Os inquéritos foram preenchidos individualmente. O questionário era constituído por 25 perguntas fechadas versando dados demográficos (idade, gênero, rendimento escolar) e características de utilizaçao da internet. As características de uso de internet compreendiam: a existência de computador pessoal, história e duraçao de utilizaçao diária, local de acesso, regras de utilizaçao em casa, atividades on-line (redes sociais, correio electrónico, jogos, programas de mensagens instantâneas, web sites), tipo de comunicaçao estabelecida (escrita, áudio, vídeo) e destinatários, grau de exposiçao pessoal (partilha de dados pessoais como a identificaçao, endereço eletrônico, domicílio, escola que frequenta, fotos), adoçao de diferentes identidades na rede e marcaçao prévia ou futura de encontros com pessoas com quem estabelecem contato on-line. Definiram-se como usuários intensivos de internet (UII), os participantes que reportaram estarem on-line por um período diário 3 2 horas diariamente, cut-off similar ao já definido na literatura6. A prevalência do UPI e de uso borderline de internet (UBI) foi determinada através da aplicaçao de um questionário validado para a populaçao-alvo, proposto por Young em 1998, que foi traduzido para português9. A EDIY avalia a severidade das consequências negativas do uso de internet. É constituída por 20 questoes de resposta múltipla, onde o participante atribui pontuaçao de 1 ("nunca") a 5 ("sempre"), referentes à presença e/ou frequência de determinado comportamento/atitude em relaçao ao seu uso de internet. A soma das respostas aos diferentes itens traduzirá a maior ou menor propensao para a dependência da internet. Assim, uma pontuaçao até 39 corresponde a um uso "saudável" da internet, um valor de 40 a 69 traduz um UBI, e, acima de 69 prefigura um UPI. Neste estudo, definimos como uso "nao salutar" de internet (UNSI), o conjunto de participantes com UPI e com UBI (pontuaçao acima 39), em contraposiçao com os que apresentam um uso dito "saudável" (abaixo de 39). O tratamento estatístico dos dados foi efetuado com o programa PASW Statistics18.0 (SPSS Inc.). Foi usado o teste X2 para analisar as relaçoes estatísticas entre variáveis binárias dependentes e entre variáveis independentes e o t de Student para variáveis nao categóricas. Foi considerado o valor de a<0,05 como critério com significado estatístico para todas as relaçoes determinadas. RESULTADOS Obtiveram-se 665 questionários e foram validados 638. A amostra é caracterizada na Tabela 1 em relaçao a variáveis demográficas e de uso de internet. Verifica-se um predomínio do sexo feminino (57%), sendo a média de idades dos inquiridos de 15 anos. Mais de metade dos participantes frequentava o 3º ciclo de ensino (59%). Apenas dois adolescentes nao possuíam computador no domicílio (0,05%), sendo a maioria dos inquiridos detentores de computador para uso pessoal (72%). Cerca de 38% dos inquiridos possuem computador no seu quarto e 44% têm computador portátil, pelo que o poderao usar livremente pela casa. Daqueles com computador no domicílio, apenas 4% nao dispunham de ligaçao à internet. O local mais frequentemente referido para acesso à internet foi o domicílio (96%) e a escola (23%), sendo esta última referida sobretudo pelos alunos do ensino secundário (a<0,001). A quase totalidade dos adolescentes inquiridos já contata a internet há mais de 1 ano (95%). Relativamente à frequência de utilizaçao, 20% dos participantes sao UII, tendo-se encontrado uma diferença estatisticamente significativa entre gêneros (a<0,05,♂>♀). Quando questionados em que atividades on-line despendem mais tempo diariamente3 (1 hora/dia), as opçoes mais frequentemente preferidas foram: as redes sociais (48%), a troca instantânea de mensagens (42%) e a consulta de sites (22%). A consulta do correio eletrônico (14%) e as salas de conversaçao (7%) foram as menos referidas. Encontraram-se diferenças estatisticamente significativas neste aspecto: o gênero feminino despende mais tempo nas redes sociais (a<0,001,♀>♂) e na troca de mensagens (a<0,05,♀>♂), enquanto os alunos do 3º ciclo de ensino despendem mais tempo na consulta do correio eletrônico (a<0,001, 3º ciclo>secundário), nas redes sociais (a<0,001, 3º ciclo>secundário) e na troca de mensagens (a<0,05, 3º ciclo>secundário). Os sites mais frequentemente visitados foram os de música (82%), entretenimento (63%), os relacionados com temáticas escolares (52%) e os jogos (49%). Os sites para adultos (10%) e aqueles que abordam temas de saúde (4%) foram os menos referidos pelos participantes. Foram encontradas diferenças estatisticamente significativas neste aspecto, nomeadamente entre gêneros: as meninas visitam mais frequentemente sites musicais (a<0,001), com temáticas escolares (a<0,001) e de compras (a<0,001); enquanto os rapazes preferem os jogos on-line (a<0,001), sites de informaçao (a<0,001) e para adultos (a<0,001). Mas também se constataram diferenças entre grau de escolaridade: os alunos do secundário referem visitar mais frequentemente sites que abordem temas relacionados com trabalhos escolares (a<0,001), de informaçao (a<0,001) e de saúde (a<0,001). A existência de regras para utilizaçao de internet no domicílio foi referida por 28% dos participantes, sendo 81% destes alunos frequentadores do 3º ciclo de ensino (a<0,001). As regras mais frequentemente mencionadas foram: "Nao podes falar com desconhecidos" (46%), "Tens um tempo limitado para o uso de internet" (45%) e "Nao podes usar a internet durante as noites dos dias de semana" (31%). Na Tabela 2 estao resumidas as principais características de comunicaçao da rede na amostra em estudo. A forma de comunicaçao mais frequentemente utilizada é a escrita (93%), sendo usada "muitas vezes" para estabelecer contato com amigos próximos (57%) ou com outros adolescentes da mesma idade com quem convivem raramente (14%), mas também com familiares próximos (11%). A comunicaçao com desconhecidos da mesma idade ou "mais velhos" é referida, independentemente da frequência com que é estabelecida, por 32% e 19% dos inquiridos, respectivamente. Estes dados correspondem sobretudo a alunos do 3º ciclo de ensino (60%), sendo a diferença estatisticamente significativa entre gêneros, com os rapazes referindo-se mais frequentemente ao contato com desconhecidos (a<0,001). Relativamente à frequência com que se comunicam com desconhecidos, 7% referem fazê-lo "muitas vezes" ou de forma regular. Entre estes, também os alunos do 3º ciclo de ensino (67%) e os rapazes (63%), dizem o mesmo mais frequentemente, encontrando-se diferenças estatisticamente significativas entre gêneros (a<0,001). O primeiro contato com desconhecidos on-line é estabelecido geralmente através de amigos/colegas (38%), redes sociais (37%) ou de familiares (35%). Em 3% dos inquiridos, o primeiro contato aconteceu em "salas de conversaçao". No que respeita à exposiçao on-line, a maioria dos adolescentes revela o seu nome (89%), a sua idade (67%) e publica fotos em redes sociais (63%). As diferenças entre gêneros sao estatisticamente significativas: as meninas mais frequentemente publicam fotos (a<0,05) e os rapazes revelam o nome, número de celular e endereço de correio eletrônico com maior frequência (a<0,05). Os alunos do ensino secundário mais frequentemente revelam o nome, idade, escola que frequentam e publicam fotos on-line (a<0,001). A troca de identidade on-line é referida por 21% dos participantes, que o fazem como forma de diversao (69%). A troca de identidades é menos frequentemente usada porque o adolescente "gostava de ser outra pessoa" (8%) ou porque considera que, de outra forma, "nao falariam com ele/ela" (9%). Cerca de 6% dos inquiridos já marcaram um encontro com alguém que conheceram on-line e 2% já o fizeram várias vezes. Entre os participantes que afirmam tê-lo feito, nao se verificaram diferenças entre sexos, mas constatou-se que a maioria frequentava o ensino secundário (61%) (a<0,05). Aplicando a EDIY determinou-se que oito inquiridos apresentavam um padrao de UPI (1,2%), sendo majoritariamente meninas (75%) e alunos do 3º ciclo de ensino (88%). Cerca de 18% dos participantes apresentam um padrao de UBI, sendo sobretudo rapazes e alunos do 3º ciclo de ensino. Considera-se, entao, que 19,2% apresentam um UNSI. A Tabela 3 apresenta as características de utilizaçao dos participantes com "uso saudável" e com UNSI. Verificaram-se diferenças estatisticamente significativas entre gêneros (a<0,001), tempo de utilizaçao semanal (a<0,001), troca de identidade (a<0,001), marcaçao de encontros com desconhecidos (a<0,001), grau de exposiçao on-line, nomeadamente na revelaçao da idade (a<0,05), morada (a<0,001), escola que frequenta (a<0,05) e número de celular (a<0,001). DISCUSSAO Os adolescentes portugueses da amostra em estudo parecem acompanhar a tendência mundial de crescente familiarizaçao com as novas tecnologias. Assim, verificou-se que a esmagadora maioria dos inquiridos já possui computador no domicílio com ligaçao à internet. De fato, a totalidade dos participantes refere já ter contato com esta tecnologia, a maioria com história de mais de um ano de utilizaçao. Isto poderá ser explicado pelos programas estatais desenvolvidos nos últimos anos, incentivando a aquisiçao de computadores portáteis com acesso à internet pelos alunos, com preços ajustados aos rendimentos familiares10. Sendo o domicílio o local de acesso privilegiado à internet, constatou-se, na maioria dos inquiridos, a inexistência de regras de utilizaçao, o que poderá justificar-se pelo desconhecimento dos pais dos riscos inerentes ao seu uso, mas também pela sensaçao de falsa segurança causada pelo fato de seus filhos estarem em casa e, aparentemente protegidos dos perigos do "mundo exterior". Esta ausência de mediaçao parental deve ser encarada com preocupaçao, embora seja difícil determinar o seu papel real na reduçao dos riscos a que se expoem as crianças e adolescentes na internet11. De acordo com alguns estudos, as crianças cujos pais monitorizam as suas atividades on-line sao menos susceptíveis a revelar informaçoes pessoais, a procurar sites inapropriados e a estabelecer conversas com estranhos12. De fato, segundo os dados do estudo europeu EU Kids Online, que reuniu crianças e adolescentes com idades entre os 9 e os 16 anos dos vários países integrantes da Uniao Europeia, os inquiridos portugueses figuram entre os que mais desejam que seus pais mostrem interesse pelas suas atividades. Neste estudo, 51% dos adolescentes utilizam a internet diariamente, e destes, 73% por um período superior a 1 hora diária, o que faz do computador uma parte importante do quotidiano dos inquiridos. Comparativamente com o estudo de Bélanger, verificou-se um valor elevado de UII entre os participantes da amostra6. Contudo, mantêm-se as tendências descritas em vários estudos: o gênero masculino apresenta valores mais elevados de UII, assim como os adolescentes mais novos (3º ciclo de ensino)3,6. A internet é considerada como local primordial de socializaçao e entretenimento para os adolescentes13,14. Os participantes da amostra usam preferentemente as redes sociais e a troca de mensagens eletrônicas. Cerca de metade dos participantes refere utilizar a internet para jogar, valor inferior ao encontrado em outros estudos13,15. Apesar dos sites mais frequentemente visitados estarem relacionados com atividades de lazer (sites de música e entretenimento), mais de metade dos inquiridos informa que utiliza a internet para realizaçao de pesquisa para tarefas escolares, confirmando o papel desta tecnologia no contexto educativo. Verificou-se também que a internet é ainda pouco utilizada como fonte de informaçao com relaçao a temas de saúde, comparativamente com o estudo Generation Rx de 2001, em que, analisando apenas os adolescentes entre os 15-17 anos que pertenciam a essa amostra, 68% afirmavam já ter usado alguma vez a internet para esse fim16. Essa diferença pode ser explicada, em parte, pelo fato da nossa amostra apresentar uma média de idades mais baixa do que a do estudo em questao, mas tal fato nao explicará tao grande diferença percentual entre os dois estudos. Os adolescentes da amostra usam a internet para comunicaçao frequente com os colegas e amigos, aproveitando este recurso para reforçar as relaçoes que já mantêm off-line. Por outro lado, a facilidade da comunicaçao através da rede poderá condicionar os adolescentes a preferir esta forma de contato em detrimento da relaçao "cara a cara". A comunicaçao com desconhecidos off-line foi referida por quase um terço dos inquiridos, sendo mais frequente no 3º ciclo e no sexo masculino. O fato de serem os adolescentes "mais novos" a terem mais contato com desconhecidos contraria a tendência demonstrada no estudo Eu Kids Online, levantando importantes preocupaçoes em termos de segurança, nomeadamente o risco de exposiçao a predadores, pois trata-se de uma faixa etária mais susceptível13 . Comparativamente ao mesmo estudo, a frequência deste tipo de comunicaçao na amostra é superior (32% versus 25%), mesmo excluindo os inquiridos com idade superior a 16 anos14. Cinquenta e um inquiridos referiram já terem marcado encontros com alguém que haviam conhecido on-line, o que revela que apenas um valor residual de relaçoes on-line transita para o universo off-line, o que está de acordo com a literatura17. Contudo, este valor é preocupante, pois 2% dos adolescentes referem ter já marcado diversos encontros off-line. Relativamente à exposiçao on-line, verificou-se que os inquiridos divulgam grande quantidade de informaçao pessoal na rede. Cada nove em dez inquiridos revela o seu nome on-line e cerca de dois terços revelam a idade. A colocaçao de fotos on-line é também muito frequente, justificada pela massificaçao das câmaras digitais e os celulares com câmara fotográfica. A adoçao destes comportamentos de risco é frequente entre adolescentes "mais velhos" e, no caso da divulgaçao de fotografias na rede, sao as meninas as mais fas desta atividade, tal como é descrito na literatura18. Achados na literatura têm apontado no sentido da internet constituir para os adolescentes um palco para a experimentaçao da sua identidade14. Os adolescentes parecem apresentar grande flexibilidade em assumir novas identidades em múltiplos contextos sociais e psicológicos, sendo diversas as motivaçoes por detrás destas representaçoes14. Neste estudo atual, a troca de identidades foi referida majoritariamente como forma de diversao, ocorrendo numa percentagem baixa de inquiridos comparativamente com a literatura14. Aplicando a EDIY, determinou-se uma incidência de UPI de 1,2%, semelhante à encontrada no estudo grego3, e inferior à de outros estudos19,20. A percentagem de meninas com UPI foi superior à de rapazes, o que contraria o encontrado na literatura3,19,20. Contudo, entre os inquiridos com UBI, existe um predomínio do gênero masculino. Em nosso estudo, apurou-se uma proporçao significativa de UBI, o que incita à adoçao urgente de medidas de prevençao, para evitar futuros padroes de uso abusivo. Este valor de UBI pode ser explicado pelo elevado nível de penetraçao desta tecnologia na populaçao portuguesa, pela ausência de regras em seu uso, mas também pode ser ocasionado por outros fatores culturais, sociais e psicológicos. Assim, apresenta-se o perfil do participante com UNSI: rapaz, 3º ciclo de ensino, detentor de computador pessoal em seu quarto ou portátil, usuário de internet há mais de 2 anos, com um tempo médio de 15 horas de uso semanal3, o qual acede à internet geralmente do domicílio, onde nega existirem regras de utilizaçao. Usa a internet geralmente para socializaçao (redes sociais e troca de mensagens) e de entretenimento (jogos on-line, sites de adultos), revela informaçoes pessoais na rede e refere estabelecer contato com desconhecidos. Nos inquiridos com UNSI, sao identificáveis diversos fatores (ausência de regras, local de acesso à internet, tempo despendido on-line, partilha de informaçao pessoal e contato com desconhecidos) que podem ser o ponto de partida para o estabelecimento de programas de prevençao de comportamentos de risco em termos de segurança dos adolescentes usuários desta tecnologia, mas também como forma de exclusao de futuros padroes de uso patológico. CONCLUSOES Neste estudo verificaram-se comportamentos de risco e padroes alarmantes do uso de internet. Determinou-se uma percentagem reduzida de utilizaçao abusiva de internet comparativamente com outros países, mas apurou-se uma proporçao significativa de uso borderline, o que incita à adoçao premente de medidas de prevençao. REFERENCIAS 1. Instituto Nacional de Estatística. Inquérito à utilizaçao de tecnologias da informaçao e comunicaçao pelas famílias 2012. Lisboa: Instituto Nacional de Estatística; 2012. 2. Chambers RA, Taylor JR, Potenza MN. Developmental neurocircuitry of motivation in adolescence: a critical period of addiction vulnerability. Am J Psychiatry. 2003 Jun;160(6):1041-52. 3. Tsitsika A, Critselis E, Kormas G, Filippopoulou A, Tounissidou D, Freskou A, et al. Internet use and misuse: a multivariate regression analysis of the predictive factors of internet use among Greek adolescents. Eur J Pediatr. 2009 Jun;168(6):655-65. 4. Young KS. 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