Revista Adolescência e Saúde

Revista Oficial do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente / UERJ

NESA Publicação oficial
ISSN: 2177-5281 (Online)

Vol. 10  Supl. 1 - Abr - 2013

Artigo de Atualização Imprimir 

Páginas 61 a 71


Desenvolvimento da sexualidade da geração digital

Digital generation and sexuality development

Desarrollo de la sexualidad de la generación digital


Autores: Evelyn Eisenstein

Professora Associada de Pediatria e Clínica de Adolescentes. Coordenadora de Telemedicina da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ. Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Evelyn Eisenstein
Rua Bambina, 124, sala 203, Botafogo
Rio de Janeiro, RJ, Brasil. CEP: 22251-050
evelynbrasil@hotmail.com

Recebido em 02/02/2013
Aprovado em 25/02/2013

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Como citar este Artigo

Descritores: Geração digital, desenvolvimento da sexualidade, adolescência, programas de Internet, redes de relacionamento social, riscos & prevenção.
Keywords: Digital generation, development of sexuality, adolescence, Internet programs, social network of relationships, risks & prevention.
Palabra Clave: Generación digital, desarrollo de la sexualidad, adolescencia, programas de Internet, redes de relacionamiento social, riesgos & prevención.

Resumo:
OBJETIVO: As tecnologias da era digital, incluindo os aplicativos, web-sites e programas da Internet oferecem aos adolescentes uma perspectiva mais abrangente do mundo à sua volta, se usadas com respeito e cuidado, mas podem também se tornar uma ameaça e oferecer riscos à saúde quando se extrapolam os limites entre o real e o virtual, entre o público e o privado, entre o que é legal ou ilegal, entre o que é informação ou exploração, entre a intimidade e a distorção dos fatos ou imagens "reais". A curiosidade das novas descobertas durante a adolescência encontra na Internet um espaço ilimitado, em todas as direções e ao alcance de todos, sem fronteiras ou barreiras culturais e também vai ampliando a liberdade de expressão dos novos relacionamentos sociais durante o desenvolvimento da sexualidade. Saber o que é cyberbullying, grooming, sexting, além de prevenir os problemas da exploração sexual, pornografia e pedofilia online e outras tantas ameaças à saúde desta geração digital, serve de alerta para a atualização dos profissionais de saúde, nos consultórios e ambulatórios.
CONCLUSÃO: As recomendações sobre o que fazer para transformar o uso da Internet numa fonte mais segura, ética, educativa e saudável de conhecimentos e divulgação da mídia social fazem parte das condutas de rotina dos atendimentos de crianças, adolescentes e suas famílias, servindo como uma ação de prevenção, além de construir uma ponte de diálogo entre as gerações.

Abstract:
OBJECTIVE: Technologies of the digital era, appliances, websites and Internet programs offer adolescents a new perspective of the world around them, if used with care and respect, but it can also turn to be a threat and present health risks, when the limits between what is real and virtual, or between private and public, or what is legal or illegal, what is information or exploitation and what is intimacy and the distortion of real facts or images are extrapolated. The curiosity for new discoveries during adolescence finds an unlimited space in the Internet in all directions and for all, without frontiers or cultural barriers, and also amplifying the freedom of expression of new social relationships during the development of sexuality. To learn what is cyberbullying, grooming, sexting, besides preventing the problems of sexual exploitation, pornography and pedophilia online, and many other health threats for this digital generation, is an alert sign for the updating of health professionals, in their offices and out-patient services.
CONCLUSION: Some recommendations about what to do to transform the use of the Internet on a more healthy, educative, ethical and safe source for knowledge and dissemination of social midia is part of the routine conduct plan for assisting children, adolescents and their families, serving as a prevention action and also building a bridge for the dialogue between generations.

Resumen:
OBJETIVO: Las tecnologías de la era digital, incluyendo los aplicativos, websites y programas de Internet ofrecen a los adolescentes una perspectiva más abarcadora del mundo a su alrededor, usadas con respeto y cuidado, pero pueden también tornarse una amenaza y ofrecer riesgos a la salud cuando se extralimitan los límites entre lo real y lo virtual, entre el público y el privado, entre lo que es legal o ilegal, entre lo que es información o explotación, entre la intimidad y la distorsión de los hechos o imágenes "reales". La curiosidad de los nuevos descubrimientos durante la adolescencia encuentra en Internet un espacio ilimitado en todas direcciones y al alcance de todos, sin fronteras o barreras culturales, y también va ampliando la libertad de expresión de los nuevos relacionamientos sociales durante el desarrollo de la sexualidad. Saber lo que es cyberbullying, grooming, sexting, además de prevenir los problemas da explotación sexual, pornografía y pedofilia online, y otras tantas amenazas a la salud de esta generación digital, sirve de alerta para la actualización de los profesionales de salud, en los consultorios y ambulatorios.
CONCLUSIÓN: Las recomendaciones sobre qué hacer para transformar el uso de Internet en una fuente más segura, ética, educativa y saludable de conocimientos y divulgación de la midia social forman parte de las conductas de rutina de las atenciones de niños, adolescentes y sus familias, sirviendo como una acción de prevención, además de construir un puente de diálogo entre las generaciones.

INTRODUÇÃO

Atualmente, os adolescentes não vivem mais no "mundo da lua", mas no "espaço das nuvens" do mundo digital. Um mundo global, acelerado, instantâneo, que parece ser mais interessante e surpreendente, oferecendo todos os tipos de aventuras com detalhes audiovisuais, oportunidades de relacionamentos e estímulos das tecnologias de informação e comunicação (TIC), mas também apresentando novos riscos à saúde que acontecem numa época especial do desenvolvimento cerebral, mental e corporal da adolescência. É uma fase única da vida em que o corpo muda, as emoções se intensificam e existem novos movimentos e iniciativas de se explorar outros relacionamentos sociais e mudar os estilos e os hábitos adquiridos no período da infância. A curiosidade das novas descobertas durante a adolescência encontra na internet um espaço ilimitado, em todas as direções e ao alcance de todos, sem fronteiras ou barreiras culturais, e tudo portátil através de um computador ou um telefone celular ou equipamentos mais sofisticados, porém cada vez mais accessíveis, como smart-phones, i-pads e tablets. Qualquer conhecimento ou informação, ou mesmo uma diversão de um jogo de vídeo game, está disponível com o apertar de um botão e todos podem ter acesso com liberdade, 24 horas do dia ou da noite.

As tecnologias da era digital, incluindo os aplicativos, web-sites e programas da internet, oferecem aos jovens uma perspectiva mais abrangente do mundo à sua volta, se usadas com respeito e cuidado, mas podem se tornar também uma ameaça e oferecer riscos à saúde quando se extrapolam os limites entre o real e o virtual, entre o público e o privado, entre o que é legal ou ilegal "pirateado", entre o que é informação ou exploração, entre a intimidade e a distorção dos fatos ou imagens "reais". Saber o que é cyberbullying, grooming, sexting, messaging e texting e controlar o uso das webcams, além de prevenir os problemas da exploração sexual, pornografia e pedofilia online e outras tantas ameaças à saúde desta geração digital, deve servir de alerta para a atualização dos profissionais de saúde, nos consultórios e ambulatórios.

As recomendações sobre o que fazer para transformar o uso da internet numa fonte mais segura, ética, educativa e saudável de conhecimentos e divulgação da mídia social devem fazer parte das condutas de rotina dos atendimentos de crianças, adolescentes e suas famílias, servindo como uma ação de prevenção e alerta aos problemas cibernéticos além de se construir uma ponte de diálogo entre as gerações1, 2, 3.


DESENVOLVIMENTO DA SEXUALIDADE

Sexualidade é o processo evolutivo que dura toda a vida, pelo qual nascemos e nos reproduzimos e está intimamente associado ao desenvolvimento biológico, psicológico e social, contribuindo para a formação da personalidade e realização pessoal.

As emoções se originam em nosso cérebro e na correlação corporal, através das sensações e percepções, via neurotransmissores e redes dos circuitos neuronais. As emoções são mecanismos biológicos instintivos que nos auxiliam a lidar com as tarefas fundamentais da vida, que são a sobrevivência e a perpetuação da espécie pela reprodução. Muitos cientistas da evolução do comportamento humano, desde Charles Darwin em 1872, já apontavam que a sobrevivência das crianças dependia da resposta aos cuidados de proteção dos adultos, e que muitas das percepções espécie-específicas inatas auxiliavam na evolução e no desenvolvimento e daí as respostas emocionais de regulação descritas como aproximação ou fuga (fight-flight)4. Vários estudiosos das áreas de psicologia foram descrevendo os mecanismos da memória e do inconsciente e as respostas afetivas, emocionais e empáticas que influenciavam nos comportamentos e também nas expressões da sexualidade e agressividade, inclusive nas reações pós-traumáticas das crianças e adolescentes em suas dinâmicas familiares. Em 1905, em Viena, com a publicação de seu livro Three Essays of the Theory of Sexuality, Sigmund Freud descreve, pela primeira vez, que sexualidade e agressividade também são evidentes nos comportamentos de crianças e adolescentes5. Somente em 1920 e na época da Primeira Guerra Mundial, Freud reconhece que o eroticismo é o resultado da interação de dois impulsos instintivos inatos de igual importância: o instinto de vida (Eros) e o instinto de morte (Thanatos). Tudo se reflete neste balanceamento: de um lado, a Vida e a preservação da espécie, sexualidade, afeto/amor, criatividade, alimentação e as manifestações emocionais da saúde, e do outro lado, a Morte, refletida na agressão, dor e desespero e as manifestações emocionais da violência6. Muitos autores, a seguir, estudaram os comportamentos de crianças e adolescentes e o desenvolvimento da sexualidade em relação às diversas patologias corporais, hormonais e mentais e os problemas decorrentes no relacionamento social até a vida adulta, incluindo John Bowlby7, Donald Winnicott8, Erik Erikson9, John Money10 em clássicos da literatura científica que precisam ser mais (re) conhecidos pelos profissionais que se dedicam a lidar com os adolescentes e os problemas de saúde atuais, inclusive sobre a sexualidade.

Mais recentemente, apesar de muitos outros desafios da modernidade como a contracepção, as doenças sexualmente transmitidas/HIV-AIDS, gravidez precoce e as influências do abuso de drogas durante a adolescência, existem também outras tantas repercussões tecnológicas, inclusive o uso de ressonâncias magnéticas funcionais para o estudo dos comportamentos. Pesquisadores como Giedd11 e Erik Kandel12 continuam trazendo evidências importantes sobre o desenvolvimento cerebral e mental humano e demonstram a importância do sistema dopaminérgico mesocortical e mesolímbico, do córtex pré-frontal e do núcleo acumbente e as reações do hipocampo e da amígdala cerebral, ao estresse inclusive das muitas horas frente ao computador podendo ocasionar a dependência e o transtorno obsessivo-compulsivo, além dos estímulos hormonais do hipotálamo-hipófise durante a adolescência.

Durante a infância, o desenvolvimento da sexualidade é um processo natural de exploração e descoberta de informações, sensações e percepções do próprio corpo (fases oral, anal, genital) e controle dos impulsos assim como a curiosidade sobre outros papéis e comportamentos (brincar de casinha) com outras crianças, irmãos ou primos quase da mesma idade (tomar banho juntos). Os comportamentos são limitados, espontâneos e ocasionais e o interesse na sexualidade é balanceado com novas descobertas do mundo exterior e com as respostas afetivas e de atenção dos pais. Geralmente, os toques corporais, abraços e beijos são prazerosos e não ocasionam sentimentos de vergonha, raiva, medo ou ansiedade. Os comportamentos vão se tornando problemáticos quando as crianças ficam confusas com a exposição de materiais em filmes de televisão, vídeos e novelas que não conseguem compreender e são abandonadas em frente de aparelhos que são usados para "distração", a babá eletrônica; ou quando vivem em famílias disruptivas e disfuncionais ou em comunidades e grupos sociais onde o sexo tem uma influência importante ou poder de barganha; ou em lares onde não existe respeito pela intimidade e privacidade, ou a exposição sexual é usada em brigas e situações de violência; ou quando realmente existem episódios abusivos e o espaço emocional é violado deixando emoções inconscientes de estresse e confusão entre dor e prazer, e que então começam as repercussões em comportamentos sexualizados e desintegradores, aumentando os problemas nas rotinas diárias, tensões e períodos de ansiedade e negligência13.

A transição da adolescência14 é marcada pelo desenvolvimento da sexualidade, desde as mudanças no corpo e nos comportamentos até o início dos relacionamentos sociais, como o namoro e outros compromissos afetivos, inclusive sexuais, até o acasalamento e a possibilidade de reprodução. A socialização e a sexualização são interdependentes durante este período e passam por processos cerebrais, mentais e neuro-hormonais que se expressam nos desejos, buscas, dúvidas, ansiedades, intimidades, medos, vacilos, incertezas e muitas encruzilhadas, confrontos e riscos na escolha das opções sexuais. As fases normais do desenvolvimento da sexualidade na adolescência não têm limites de idade definidos, e muitas vezes podem ocorrer ao mesmo tempo. A primeira fase, do despertar do interesse sexual, ocorre devido ao estímulo hormonal e às mudanças corporais, com o aparecimento da primeira menstruação, menarca nas meninas e da primeira ejaculação, semenarca, nos meninos. Durante esta época, as reações emocionais são as mais variadas possíveis, com rápidas fugas da realidade através das fantasias e devaneios, e episódios de auto-estímulo, como a masturbação e de desejos inconscientes a "objetos de amor proibido", bissexuais e ambivalentes. A segunda fase, da experimentação sexual, envolve a prática de iniciar um relacionamento amoroso com outra pessoa, algo super complicado com vacilos e incertezas, pois o/a adolescente precisa vencer o desafio de treinar a imagem pública que quer demonstrar de si e começar os jogos de sedução. Esta fase é transformada na construção de blogs e redes de relacionamentos e encontros entre "amigos" via Internet, e todos querem ser o foco da atenção, uma celebridade! Na terceira fase, da escolha do par sexual, e o amadurecimento das inter-relações afetivas, ocorrem o início de relações mais duradouras e o/a adolescente começa a aceitar melhor o papel sexual escolhido e a se sentir mais confortável com sua sexualidade, decidindo sobre seus valores de vida, aprofundando os aspectos íntimos de sua feminilidade/masculinidade, intensificando sua autoestima e consolidando sua identidade sexual.

A sexualidade ocupa um espaço essencial na formação da identidade de todos adolescentes e também culturalmente nos grupos sociais, porque tem relevância para a continuidade evolutiva e o poder reprodutivo, além da busca do prazer do corpo, da imaginação e das fantasias. Por tudo isso, ressalta-se a importância do respeito às necessidades e atitudes individuais e coletivas, mas também a busca por informações básicas sobre o que acontece a cada momento nas percepções de cada um e nas trocas dos saberes que são realizadas, atualmente, através das redes sociais em vez das pressões das famílias. Os impulsos da sexualidade são marcados por limites sociais que muitas vezes desafiam os riscos da impulsividade e da liberdade, assim como as regras de proteção, códigos morais e éticos, que operam tanto subjetivamente como na dimensão social. O desenvolvimento da sexualidade é um dos aspectos do desenvolvimento da personalidade humana e da socialização na adolescência, com a incessante e difícil busca do encontro de si mesmo e do par amoroso15.

Com o advento das novas tecnologias, estamos diante de uma nova revolução, não só dos novos padrões de comunicação e relacionamento social, mas também da maneira como se aprende e manifesta a sexualidade, inclusive nas redes sociais. No isolamento e no anonimato de seu computador em seu quarto ou numa lan house, o adolescente inicia seu conhecimento sexual e seus relacionamentos com informações obtidas livremente de outras pessoas de todos os tipos e idades, porém cuja identidade real é desconhecida. Relaciona-se de modo simultâneo e superficial e espera a "repercussão virtual" de sua imagem, muitas vezes transmitida através da webcam em tempo real ou vídeo. Esse retorno traduz-se em variáveis quantidades de manifestações, seja através de fotolog ou da comunidade virtual ou sites de relacionamento, podendo se tornar uma web-celebridade ou podendo também ser alvo de destruição por atos de cyberbullying. Observa-se uma busca por experiências sexuais, que alguns sociólogos denominam de pansexualidade, onde tudo é possível na mídia social16. Seja como for, e como sempre tem sido desde a Antiguidade, os adolescentes exercem sua sexualidade como expressão de liberdade, vazio e rebeldia, que não depende de gênero, foge aos estereótipos culturais tradicionais, não depende de envolvimento emocional e compromisso afetivo, mas mesmo assim assume riscos comportamentais, que vão desde a exploração sexual como até dissociações mentais. As mensagens de texto, ou sexting, que são curtas, simples e diretas fazem parte do novo idioma usado através da Internet e dos celulares. A linha limite que separa o uso construtivo do uso patológico no desenvolvimento sexual e na busca de atenção e de afeto ou do par amoroso e sexual está cada vez mais tênue, e permanece também como uma divisória, que cada vez mais fica desequilibrada entre a saúde e os riscos de doenças futuras17.




FATOS E RISCOS DA ERA DIGITAL

Nada mais será como antes, pois todos os dias surgem tecnologias novas, algumas levando meses para serem aperfeiçoadas ou outras "caindo na rede", isto é, no gosto dos adolescentes, os quais, com o ímpeto típico da idade, desvendam, absorvem e compartilham os labirintos da rede em alta velocidade18. Desde que começou a se popularizar no final dos anos 1990, a Internet, ou a rede das redes, criou novos conceitos que foram incorporados ao cotidiano das pessoas. De todos os grupos de usuários da rede mundial de computadores, são os jovens que lidam mais confortavelmente com as ferramentas e novidades desse novo meio de comunicação.

No Brasil, em 2011, 38% dos domicílios com acesso à Internet e 45% da população de usuários, sendo 77,7 milhões de pessoas com 10 anos ou mais, declararam ter usado a Internet nos três meses anteriores à entrevista da Pesquisa Nacional por Amostra a Domicilio, um aumento de 15% em relação a 200919. Pesquisa realizada pelo CETIC, Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e Comunicação, de Abril a Julho de 2012, com 1.580 adolescentes e suas famílias, de todas as regiões brasileiras e classes socioeconômicas para medir o uso dos computadores e telefones celulares focando nas oportunidades e riscos, demonstrou que a proporção de 67% dos adolescentes entre 9 e 16 anos tinham acesso à Internet e 47% todos os dias ou quase todos os dias, sendo que 14% tinham usado a webcam no último mês20. Nessa pesquisa, 47% das crianças/adolescentes entrevistados declararam ter passado por alguma situação ofensiva na Internet nos últimos 12 meses. As atividades para o uso do computador estavam relacionadas a trabalho escolar (82%); visitas às redes sociais, como Orkut ou Facebook (68%); assistir vídeos/youtube (66%); games/jogos (54%); envio de mensagens instantâneas (54%); envio de e-mails (49%); baixar músicas/filmes (44%); postar fotos/imagens/vídeos (40%), dentre outras relacionadas20. Para entender o que as crianças e adolescentes fazem, como se comunicam, fazem amigos, descobrem sua sexualidade ou simplesmente se divertem e "baixam músicas e filmes" ou jogam "vídeo games" e alguns vão se tornando "dependentes da Internet"21, devemos não só conhecer esta nova realidade, como, urgentemente, nos atualizar22.

Redes Sociais: são inúmeras as redes sociais virtuais, onde um grupo qualquer de pessoas se conecta e troca informações, descreve sua rotina ou tarefa diária ou, simplesmente, se comunica e troca ideias, através de e-mails ou mensagens. Para os adolescentes, que não se sentem compreendidos na família ou não encontram melhores oportunidades no "mundo real" e se sentem isolados, as redes sociais desempenham, cada vez mais, o papel de "ponte de comunicação" nas "salas-de-bate-papo", fóruns e oportunidades de jogos interativos. Muitos buscam nas redes sociais o "apoio emocional" de "qualquer relacionamento" em momentos de desespero solidão, ansiedade, ou dificuldades psicossociais, e acabam colocando dados pessoais, fotos ou informações pessoais que podem se tornar autoprejudiciais online e na vida real. Outros desenvolvem a dependência, que é o principal sintoma do uso problemático da Internet ou o uso compulsivo, que é a incapacidade de controlar ou regular o próprio comportamento virtual21. Quando estas mensagens têm um conteúdo sexual em sites ou redes desconhecidas ou sem segurança, as possibilidades de risco são enormes, pois "do outro lado", no espaço cibernético, estas imagens ou informações podem ser usadas por "qualquer um", inclusive redes criminosas ou ilegais, de exploração sexual, em qualquer parte do mundo. Muitos programas e aplicativos existem tanto de estímulo sexual ou encontros anônimos, como Bang with Friends ou o Grindr ou Vai pegar? que exploram adolescentes incautos para o sexo casual e relacionamentos sexuais com adultos com todos os tipos de perversão sexual inclusive, e são disseminados pelas redes de mídia, sem qualquer responsabilidade social23. Muitas redes sociais produzem materiais educativos, informativos, éticos e de alerta sobre segurança na Internet, apropriados para adolescentes e devem ser recomendados pelos profissionais de saúde para serem utilizados em escolas, inclusive por estarem accessíveis e serem gratuitos para distribuição e divulgação24, 25, 26, 27. Existem também canais de ajuda que são serviços online com pessoas preparadas para conversar com crianças e adolescentes e esclarecer as principais dúvidas e alertas sobre as redes sociais, quando necessário28, 29.

Sexting: é o compartilhamento de textos simples, curtos, diretos com ou sem imagens de teor sexual, geralmente via telefones celulares. É um termo derivado de sexual messaging em Inglês, que significa mensagem sexual, com conotação inapropriada ou fotos nuas de corpos ou de relações sexuais. A dor emocional que causa pode ser enorme tanto para o/a adolescente na foto como para o/a adolescente que envia ou recebe a mensagem, e pode ter implicações legais e criminais, por ser considerado conteúdo de pornografia e invasão de privacidade. Muitos adolescentes acham que é "só uma brincadeirinha engraçada" e não entendem a repercussão deste ato impulsivo, que é uma ameaça e é considerado um abuso ou cyberbullying.

Cyberbullying: é a produção do comportamento de bullying assistido pela tecnologia digital30. Qualquer comportamento que comunica repetitivamente mensagens hostis, agressivas, cheias de ódio ou ameaçadoras, com conteúdos sexuais associados ou não, e realizadas por adolescentes ou grupos de pessoas com a intenção de prejudicar ou causar desconforto em outros (abuso psicológico) através da mídia digital ou tecnológica em qualquer forma. Mesmo a mídia tradicional, como televisão, rádio, revistas e jornais, tem um impacto indireto associado às influências sobre comportamentos, relacionamentos, violência e sexualidade, que são amplificados na mídia digital. Nos casos de cyberbullying, a vitimização ocorre online, com mensagens e envio de fotos ou materiais gráficos abusivos, depreciativos, em linguagem discriminatória, sobre alguém para algum grupo de pessoas em e-mails, websites ou sites de relacionamento. Pode haver assédio sexual online e conteúdos de violência, intolerância social e ignorância cultural contra grupos étnicos, religiosos, questões de gênero ou contra minorias sexuais como gays, lésbicas ou transexuais. Existem semelhanças e diferenças entre as características do bullying e do cyberbullying, como apresentado e resumido no quadro 2.




Grooming: se refere a atos de sedução e manipulação psicológica que são realizados com o objetivo de se ganhar uma relação de confiança e se "tornar amigo" diminuindo a inibição para se estabelecer uma dependência emocional e, assim, iniciar um relacionamento de cunho sexual com uma criança ou adolescente. São considerados comportamentos de perversão e criminosos que precedem uma atividade de abuso ou exploração comercial sexual ou ato de pornografia, no mundo real (nas ruas de grandes centros urbanos) ou no mundo digital. Alguns abusadores se "disfarçam" e fingem ser crianças/adolescentes online para iniciar conversas em chats de relacionamentos nas redes da Internet ou através de mensagens em telefones celulares atraindo principalmente meninas entre 13 a 15 anos, e oferecendo vantagens, como se tornar modelos ou celebridades, ou ganhar dinheiro fácil. Grooming é uma palavra do idioma inglês que se traduz como "pentear" ou arrumar os cabelos colocando um enfeite. São redes de exploração sexual ou de pornografia que se utilizam de crianças/adolescentes incautas, inexperientes ou que apresentam problemas comportamentais por viverem em famílias violentas ou disfuncionais e que se tornam vítimas sexuais fáceis, marcando encontros via Internet ou fugindo de casa com estranhos.

Abuso/exploração sexual: representa a violação de um direito humano fundamental, especialmente o direito ao desenvolvimento de uma sexualidade saudável e uma ameaça à integridade física e psicossocial de qualquer criança ou adolescente. Existem três formas primárias de exploração sexual comercial, as quais possuem uma relação entre si: a prostituição, a pornografia, e o tráfico com fins sexuais, incluindo o turismo sexual, e todas podem ser exercidas e transmitidas através da rede digital e sites de relacionamento da Internet. A violação está relacionada a algum tipo de transação comercial ou troca e/ou benefício em dinheiro, ofertas ou bens, por intermédio de qualquer relação sexual com menores de 18 anos, sem consentimento prévio ou mútuo, ou por ameaças de violência e/ou morte. Ocorre uma relação de mercantilização (exploração/dominação) e abuso de poder do corpo de crianças/adolescentes ou da sua foto/imagem (oferta) por exploradores sexuais (mercadores e mídia social irresponsável), organizados em redes de comercialização local ou global (mercado de redes de pornografia, inclusive na Internet) e por consumidores de serviços sexuais pagos (demanda). O sexo se torna objeto de consumo de falsas promessas e erotização precoce de crianças/adolescentes, numa ordem perversa de experiências de sobrevivência social, inclusive envolvendo o abuso de drogas. Geralmente os exploradores justificam sua atitude afirmando nos tribunais que foram "provocados" pelo/a adolescente através de fotos e imagens transmitidas pela webcam, e que são usadas sem qualquer autorização e à revelia do/a adolescente e/ou de sua família em redes virtuais, na Internet31. As redes de pornografia e de pedofilia que existem atualmente na Internet não são fenômenos que apareceram ex nihilo (do nada), pois são extensões digitais e tecnológicas de formas antigas e presentes de abuso sexual de crianças e adolescentes32. Porém, todas as formas de abuso, maus tratos, violência e negligência contra crianças/adolescentes precisam ser denunciadas através de políticas públicas33 e asseguradas através de Leis Internacionais como o artigo #19 e Comentário Geral #13 do Child's Rights Convention (CRC) das Nações Unidas e accessível em http://www2.ohchr.org/english/bodies/crc/comments.html. Qualquer suspeita de abuso/exploração sexual, inclusive na rede digital ou site de relacionamentos na Internet precisa ser denunciada por se tratar de crime previsto nos artigos 240 e 241 da Lei 8069/90 do Estatuto da Criança e do Adolescente, alterados pela Lei 10.764/03 para incluir ilicitude da conduta no âmbito da Internet. Denunciar através do DISQUE DENÚNCIA NACIONAL 100 ou através do site da Subsecretaria de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, acessar: http://www.disque100.gov.br ou através da Central de Denúncias de Crimes Cibernéticos em http://www.denunciar.org.br ou através do site da SaferNet do Brasil para qualquer suspeita de crime na Internet: http://www.safernet.org.br/site.


RECOMENDAÇÕES & PREVENÇÃO

O mundo do cyberespaço só aumenta a velocidade e as tecnologias de novos equipamentos e aplicativos com a transformação dos comportamentos sociais e dos relacionamentos entre empresas, instituições e pessoas. Muitos aspectos são positivos e existem muitos benefícios da ciência e tecnologia, na cultura e nas artes, na informação e conhecimentos, que vão abrindo novas oportunidades de desenvolvimento e que vão sendo incorporadas às rotinas e dinâmicas da família. Mas precisamos também estar alertados sobre os riscos de sermos "massificados" pela mídia social e digital, sem critérios éticos para um bem viver de valores de saúde e paz. A mídia social influencia os estereótipos dos comportamentos e as questões de saúde/doenças de todos, mas, principalmente, a formação dos hábitos das crianças e adolescentes. Questões envolvendo desde hábitos alimentares a obesidade, sedentarismo, violência, agressividade, uso de cigarros, álcool, drogas, sexualidade, transtornos de imagem corporal, depressão, transtornos de sono, hiperatividade e transtornos de conduta social, estão associadas ao tempo de uso e às mensagens transmitidas pela mídia social. Apesar da mídia social não poder ser acusada de ser a principal causa em nenhuma das questões descritas acima, ela exerce pressão e contribui substancialmente em todos estes comportamentos de risco16.

Os períodos de vulnerabilidade do crescimento e maturação cerebral e mental com a aquisição das habilidades cognitivas e perceptivas durante a infância e a adolescência vão sendo modificados e pseudo-acelerados pelo uso cada vez mais precoce das tecnologias de comunicação, mas a um custo alto de doenças que já começam a ser observadas e ocasionadas pelo tecnoestresse e que também precisam ser prevenidas. Como profissionais de saúde, precisamos estar atentos para a proteção social e a promoção da educação em saúde de crianças e adolescentes. Para tal, incluir em nossas preocupações, mesmo durante a rotina do atendimento e consultas, o empenho para que crianças e jovens possam aproveitar ao máximo os resultados positivos proporcionados pela tecnologia, tais como o aumento da difusão dos conhecimentos e novas oportunidades para inclusão social. Portanto, a seguir listamos algumas dicas saudáveis e recomendações para o uso das tecnologias de comunicação, principalmente para a prevenção dos problemas comportamentais e alguns dos riscos sobre a sexualidade da geração digital.

Sempre que possível, conversar livremente sobre sexualidade ou comentar artigos de revistas, livros, novelas ou sites que sejam apropriados de acordo com o desenvolvimento e maturidade de cada um. Aproveitar oportunidades de palestras em escolas ou conversas entre amigos ou na família para dialogar sobre a importância da segurança na Internet e proteção sobre riscos (contracepção, preservativos), incluindo perigos da rede de relacionamentos. Informação e comunicação devem ser dois aliados na prevenção e na promoção de saúde, evitando-se duplas mensagens.

Estabelecer limites e regras bem claros para a convivência saudável na família e também para a utilização dos equipamentos (computadores, telefones, etc.) nos espaços virtuais, inclusive para a entrada e permanência em salas de bate-papo e serviços de mensagens eletrônicas. Cuidados com o envio de fotos e informações particulares e evitar mensagens para pessoas desconhecidas. Cuidado em se expor, lembrar que o espaço virtual não tem volta, e tudo fará parte de sua identidade digital.

Nunca fornecer a sua senha, em nenhum momento, a quem quer que seja, nem aceitar brindes ou presentes ou prêmios ou convites oferecidos para viagens ou estadias em outras cidades ou em qualquer lugar. Não marcar encontros com pessoas desconhecidas, em nenhum momento. Em nenhuma hipótese usar a webcam para transmitir fotos ou vídeos sem roupas, nus, ou em posições sexuais e ter o máximo cuidado ao transmitir quaisquer fotos ou vídeos.

Manter os hábitos de sono para descanso cerebral e de alimentação, para nutrição adequada e exercícios e atividades ao ar livre e fora do computador, limitando o tempo de uso para prestigiar momentos de convivência familiar, socialização ou desenvolvimento de amizades fora do computador!

Aprender a usar filtros de segurança online atualizados e aprender a configurar e a mudar seu perfil no seu computador/telefone celular com bloqueadores de mensagens proibidas ou inseguras ou de pessoas estranhas. Aprender a encontrar informações sobre como usar a Internet com segurança.

Ficar atento aos sinais de risco e das características do uso impróprio, exagerado ou em horas inadequadas do computador e de outras tecnologias, especialmente alertar sobre os problemas de abuso e exploração sexual, redes de pornografia e pedofilia ou de qualquer mensagem considerada "ofensiva".

Denunciar qualquer mensagem esquisita, ofensiva, ameaçadora, amedrontadora, obscena, humilhante, inapropriada ou que contenha imagens sexualizadas ou conteúdos pornográficos, no disque denúncia 100.

Participar de redes de proteção social para crianças e adolescentes em escolas e programas comunitários, estimulando a prática de mensagens saudáveis que possam servir como materiais de educação em saúde e, ao contrário, boicotando e denunciando sites ou empresas da mídia social ou digital que não são consideradas "amigas" das crianças e adolescentes. Todos têm direitos à opinião e ao livre arbítrio nas suas decisões e escolhas da sua sexualidade, inclusive com qualidade e estilos de vida próprios, dentro dos limites legais numa democracia, como o Brasil.


REFERÊNCIAS

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