Revista Adolescência e Saúde

Revista Oficial do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente / UERJ

NESA Publicação oficial
ISSN: 2177-5281 (Online)

Vol. 9 nº 4 - Out/Dez - 2012

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Páginas 7 a 10


Redes sociais e os adultos de amanhã... Uma nova forma de comunicação?

Social networks and the adults of tomorrow... A new form of communication?

Redes sociales y los adultos de mañana... ¿Una nueva forma de comunicación?


Autores: Teresa São Simão1; Diana Baptista1; Catarina Magalhães2; Filipe Oliveira3; Liliana Macedo2

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Como citar este Artigo

Descritores: Adolescente, internet, coleta de dados.
Keywords: Adolescent, internet, data collection.
Palabra Clave: Adolescente, internet, colecta de datos.

Resumo:
OBJETIVO: Este trabalho pretende conhecer as opiniões dos adolescentes em relação às redes sociais.
MÉTODOS: Foi aplicado um inquérito aos jovens de uma escola em Guimarães Portugal.
RESULTADOS: Responderam ao inquérito 122 adolescentes, a maioria tem rede social e a utiliza de forma frequente, colocando várias informações na sua página.
CONCLUSÃO: A aplicação deste inquérito é o ponto de partida para a elaboração de campanhas e projetos direcionados à cultura chamada "indoor" e aos que mais a praticam: os jovens.

Abstract:
OBJECTIVE: This paper explores adolescent views of social networks.
METHODS: A survey of young people was conducted in a school at Guimarães, Portugal.
RESULTS: 122 adolescents responded to the survey, most have social network and use it frequently adding several information to their pages.
CONCLUSION: This survey is a starting point for the preparation of campaigns and projects that target the 'indoor' culture and its main participants: the young.

Resumen:
OBJETIVO: Este trabajo pretende conocer las opiniones de los adolescentes en relación a las redes sociales.
MÉTODOS: Fue aplicada una investigación a los jóvenes de una escuela en Guimarães Portugal.
RESULTADOS: Respondieron a la investigación 122 adolescentes, la mayoría tiene red social y la utiliza de forma frecuente, colocando varias informaciones en su página.
CONCLUSIÓN: La aplicación de esta investigación es el punto de partida para la elaboración de campañas y proyectos direccionados a la cultura llamada "indoor" y a los que más la practican: los jóvenes.

INTRODUÇÃO

As redes sociais surgiram em 1997 e estão distribuídas por todo o mundo, sendo o Facebook a mais divulgada. São sites de relacionamento inter (virtual) pessoal em que cada pessoa pode construir um perfil, articular uma lista de outros utilizadores e comunicar, lançar notícias e partilhar atividades. Os utilizadores mais assíduos são os adolescentes entre os 15 e os 18 anos. No século XX a internet veio progressivamente ocupar o lugar da correspondência e do telefone1. Estarão os nossos adolescentes de hoje a criar uma nova era de comunicação para os adultos de amanhã? Quais as implicações atuais e no futuro?


OBJETIVO

Os autores pretendem, com este trabalho, conhecer a experiência e opiniões dos adolescentes no mundo virtual das redes sociais.


MÉTODOS

A população alvo foram os adolescentes que frequentam o 10º, 11º e 12º ano de uma Escola Secundária de Guimarães. Procedeu-se à elaboração de um inquérito e ao seu preenchimento pelos jovens.


RESULTADOS

Foram aplicados e respondidos 122 inquéritos, correspondendo 59,8% (n=73) a adolescentes do sexo feminino. A média de idade foi de 16,3 anos (mínimo de 15, máximo de 17). O inquérito estava dividido em duas partes. A pergunta inicial era se o adolescente tinha ou não alguma rede social; se não, o jovem respondia a causa de não a ter e terminava o seu questionário assim. A maioria dos adolescentes (59,9%, n=72) afirmou frequentar uma ou mais redes sociais (Figura 1), sendo o Facebook (73,7%) e Hi5 (50,8%) as mais utilizadas; 41% (n=19) responderam negativamente; perder muito tempo (n=11) e receber mensagens de desconhecidos (n=5) foram as respostas mais frequentes quando inquiridos sobre a razão de não terem rede social (Figura 2). Em relação ao interesse e utilidade da rede social, encontrar amigos distantes (52,3%), reforçar amizades (48,4%) e criar novas amizades (47,5%) foram as respostas mais frequentes; 4,1% afirmou que utilizava a rede social para arranjar namorado e para flerte (Figura 3). Os "amigos" na rede social são principalmente os amigos pessoais (83,6%) e colegas da escola (80,3%); 36 jovens (50%) possuem desconhecidos na sua lista de amigos (Figura 4). A maioria dos adolescentes restringia a sua rede social à sua lista de amigos (58,2%), contudo, 25,4% não têm qualquer tipo de restrição (n=31). O domicílio (83,6%) e a casa dos amigos (21,3%) são os locais eleitos pelos jovens para visitarem as suas redes. Os perfis dos adolescentes geralmente são constituídos por: nome real (81,1%), data de nascimento (72,9%) e estado civil (48,4%); e na sua maioria incluem fotografias pessoais (78,7%).


Figura 1. Frequência de adolescentes que possuem ou não redes sociais


Figura 2. Número (n) de adolescentes que não têm redes sociais e razão de não terem


Figura 3. Justificativa dos adolescentes quando inquiridos sobre a razão de terem uma rede social


Figura 4. "Amigos" nas redes sociais



Dezenove dos adolescentes já tinham utilizado a rede social para publicar mensagens privadas e marcar encontros por terceiros e 18 afirmaram terem tido experiências desagradáveis com redes sociais, tais como receberem fotos vergonhosas de outros utilizadores, identidades falsas, comentários desagradáveis. Os aspectos positivos são realçados por 63,1% dos adolescentes ("dá para expor trabalhos artísticos, como música, fotografia", "não serve para nada, mas eu gosto de saber da vida dos outros") em detrimento dos aspectos negativos (36%) - "se podemos falar pessoalmente com uma pessoa, para que perder tempo com uma máquina", "colocam mensagens embaraçosas sobre mim, estou farta, por mim acabavam-se com as redes sociais". A maioria nega encontros combinados com desconhecidos e 82,0% afirmam que os pais têm conhecimento da posse de redes sociais.


DISCUSSÃO

A aplicação deste inquérito é o ponto de partida para a elaboração de campanhas e projetos direcionados à cultura chamada indoor e aos que mais a praticam - os jovens2. A maioria dos adolescentes incluídos neste inquérito são participantes ativos das redes sociais e internet3. A sua opinião acerca deste novo meio de comunicação é bastante positiva, não esquecendo as limitações deste tipo de questionários e a veracidade das respostas dadas. Doze marcam encontros com desconhecidos, 19 fornecem informações de amigos, como fotografias privadas, marcam encontros, e 18 já tiveram surpresas desagradáveis. Cinquenta e oito adolescentes usam as redes sociais para fazer novos amigos. Alertar os jovens para os perigos e a racionalidade do seu uso é papel dos pais, mas também dos educadores e profissionais de saúde. Por esta razão, é importante que os pais estejam atualizados em como lidar com as redes sociais e conhecer sua natureza para poderem proporcionar aos seus filhos o uso saudável destes sites. Cabe ao pediatra ajudar as famílias neste conhecimento de forma a prevenir o cyberbullying, "facebook-depression", "sexting" e a exposição a conteúdos menos próprios4, 5.

Citando a frase de um dos participantes, "as redes sociais aproximam os mais distantes e afastam os mais próximos". Será que valores como a comunicação interpessoal, vivências em grupo e certas emoções poderão ser esquecidos pelos adultos de amanhã?


REFERÊNCIAS

1. O'Keeffe GS, Clarke-Pearson K; Council on Communications and Media. The impact of social media on children, adolescents, and families. Pediatrics. 2011;127(4):800-4.

2. Bryant JA, Sanders-Jackson A, Smallwood AMK. IMing, text messaging, and adolescent social networks. Jour Comput Mediat Commun [internet]. 2006 [cited 2011 Jun 10]; 11(2):article 10. Available from: http://jcmc.indiana.edu/vol11/issue2/bryant.html.

3. Christakis DA, Moreno MA. Trapped in the net: will internet addiction become a 21st-century epidemic? Arch Pediatr Adolesc Med. 2009;163(10):959-60.

4. Ybarra ML, Mitchell KJ. How risky are social networking sites? A comparison of places online where youth sexual solicitation and harassment occurs. Pediatrics. 2008;121(2):350-8.

5. Hinduja S, Patchin JW. Bullying, cyberbullying, and suicide. Arch Suicide Res. 2010;14(3):206-21.










1. Interna de Pediatria. Centro Hospitalar Alto Ave - Guimarães, Portugal.
2. Assistente hospitalar de Pediatria. Centro Hospitalar Alto Ave - Guimarães, Portugal.
3. Assistente hospitalar de Pediatria. Centro Hospitalar Médio Ave - Vila Nova de Famalicão, Portugal.

Teresa São Simão
Rua Vasconcelos e Castro, 122, hab 33 - Vila Nova de Famalicão
Portugal - CEP: 4760-169
teresinhaped@gmail.com

Recebido em 11/06/2012
Aprovado em 02/08/12
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