Revista Adolescência e Saúde

Revista Oficial do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente / UERJ

NESA Publicação oficial
ISSN: 2177-5281 (Online)

Vol. 9 nº 2 - Abr/Jun - 2012

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Páginas 60 a 66


O sono na adolescência

Sleep in adolescence

El sueño en la adolescencia


Autores: Luiz Antonio Del Ciampo

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Como citar este Artigo

Descritores: Sono, adolescente, ritmo circadiano, fases do sono.
Keywords: Sleep, adolescent, circadian rhythm, sleep stages.

Resumo:
OBJETIVO: Este artigo tem como objetivo apresentar algumas questões relacionadas com a fisiologia do ciclo sono-vigília e suas implicações no dia a dia dos adolescentes, procurando estimular a reflexão dos profissionais acerca dos importantes aspectos relacionados com a qualidade e a quantidade de sono no cotidiano.
FONTES E SÍNTESE: O sono é uma condição fisiológica caracterizada por um estado comportamental reversível com modificações do nível de consciência e da responsividade a estímulos e desempenha papel fundamental relacionado com as alterações eletrofisiológicas, neuroquímicas e anatomofuncionais do cérebro. É controlado por mecanismos homeostáticos e cronobiológicos e intensamente relacionado com os períodos de vigília. Um dos resultados mais imediatos do sono de má qualidade é a queda no rendimento no dia seguinte, provocando danos durante o período de vigília, como sonolência, flutuações do humor, ansiedade, baixa autoestima, lentidão de raciocínio, perda de memória, mau desempenho escolar e pessoal, predisposição a acidentes.
CONCLUSÃO: O sono desempenha papel importante no desenvolvimento físico e emocional dos adolescentes que estão em um período de intenso aprendizado e diferenciação. Paradoxalmente, porém, nos tempos atuais, vários elementos concorrem para que o adolescente não consiga dormir adequadamente, tendo em vista as pressões sociais que aumentam suas atividades, como uso excessivo de computador e telefone, novos relacionamentos afetivos, frequência a festas etc. Todos esses fatores determinam diminuição do tempo de sono noturno e consequente sonolência durante o dia.

Abstract:
OBJECTIVE: This paper presents some issues related to the physiology of the sleep-wake cycle and its implications for the daily lives of adolescents, in an attempt to encourage professionals to reflect on important aspects related to regular sleep quality and quantity.
DATA SOURCE AND SYNTHESIS: Sleep is a physiological condition characterized by a reversible behavioral state, with changes in awareness levels and responsiveness to stimuli, playing a vital role in terms of electrophysiological, neurochemical, anatomical and functional alterations to the brain. It is controlled by chronobiological and homeostatic mechanisms and closely related to periods of wakefulness. One of the most immediate results of poor sleep quality is a drop in performance the next day, with adverse effects during wakefulness, such as drowsiness, mood swings, anxiety, low self-esteem, sluggish thought, memory loss, poor classroom performance and becoming more accident prone.
CONCLUSION: Sleep plays an important role in the physical and emotional development of adolescents, as they pass through this period of intensive learning and differentiation. Paradoxically, however, several factors now contribute to a lack of sleep among teenagers, particularly social pressures that extend their activities, such as excessive computer and phone use, new affective relationships, parties, etc. All these factors curtail the duration of nighttime sleep, resulting in daytime drowsiness.

Resumen:
OBJETIVO: Este artículo tiene como objetivo presentar algunas cuestiones relacionadas a la fisiología del ciclo sueño-vigilia y sus implicaciones en el día a día de los adolescentes, buscando estimular la ponderación de los profesionales acerca de los importantes aspectos relacionados con la calidad y la cantidad de sueño en el cotidiano.
FUENTES Y SÍNTESIS: El sueño es una condición fisiológica caracterizada por un estado de comportamiento reversible, con modificaciones del nivel de conciencia y de responsividad a estímulos, desempeñando un papel fundamental relacionado a las alteraciones electrofisiológicas, neuroquímicas y anátomofuncionales del cerebro. Es controlado por mecanismos homeostáticos y cronobiológicos e intensamente relacionado con los períodos de vigilia. Uno de los resultados más inmediatos del sueño de mala calidad es la baja en el rendimiento del día siguiente, provocando daños durante el período de vigilia, como somnolencia, fluctuaciones de humor, ansiedad, baja autoestima, lentitud de raciocinio, pérdida de memoria, mal desempeño escolar y personal, y predisposición a accidentes.
CONCLUSIÓN: El sueño desempeña un papel importante en el desarrollo físico y emocional de los adolescentes que están en un período de intenso aprendizaje y diferenciación. Paradójicamente, no obstante, en los tiempos actuales varios elementos afloran para que el adolescente no consiga dormir adecuadamente, teniendo en vista las presiones sociales que aumentan sus actividades, como uso excesivo de computadora y teléfono, nuevas relaciones afectivas, frecuencia a fiestas etc. Todos esos factores determinan disminución del tiempo de sueño nocturno y consecuente somnolencia durante el día.

INTRODUÇÃO

O sono é uma importante condição fisiológica caracterizada por um estado comportamental reversível, com modificações do nível de consciência e da responsividade a estímulos internos e externos. Trata-se de um processo ativo que envolve complexos mecanismos em várias regiões do sistema nervoso central, relacionando- se com diversos processos de desenvolvimento e maturação nos primeiros anos de vida, como funções homeostáticas para conservação de energia, reposição de neurotransmissores, remodelagem de sinapses e receptores, modulação de sensibilidade dos receptores e consolidação de memória1.

Nos âmbitos somático, psicológico e cognitivo, o sono desempenha papel fundamental relacionado com as alterações eletrofisiológicas, neuroquímicas e anatomofuncionais do cérebro. Para tanto, é controlado por mecanismos homeostáticos e cronobiológicos. Enquanto aquele determina sua necessidade, um ritmo circadiano comanda sua frequência, sendo o ciclo vigília-sono determinado pelo relógio circadiano2.

O ritmo biológico é importante para manter um cronograma de horas para dormir, estudar, trabalhar, realizar atividade de lazer e tomar refeições. O sono é um importante fator de sincronização entre as variações internas e os ciclos ambientais. Em humanos, o melhor exemplo dessa sincronização é o ciclo do sono/ vigília, regulado pela luz e pela escuridão. De acordo com sua natureza e organização social, os seres humanos são ativos durante o dia, suas funções físicas são principalmente orientadas para atividades diurnas e estão relacionadas com o ritmo biológico3.

Em virtude da intensa relação existente entre a qualidade do sono e a da vigília, um dos resultados mais imediatos do sono de má qualidade é a queda no rendimento no dia seguinte, provocando danos durante o período de vigília, como sonolência, flutuações do humor, ansiedade, baixa autoestima, lentidão de raciocínio, perda de memória, mau desempenho escolar e pessoal, predisposição a acidentes4, 5.


FISIOLOGIA DO CICLO SONO-VIGÍLIA

O ciclo sono-vigília é um ritmo circadiano que, em condições naturais, oscila ao longo de um período de 24 horas. Alternância de período claro e escuro, horário escolar, horas de trabalho, lazer e atividades familiares são alguns fatores exógenos que sincronizam esse ciclo. Além dessa sincronização regulada pelo ambiente, o ciclo sono-vigília é também regulado endogenamente por uma estrutura neural localizada no hipotálamo - o núcleo supraquiasmático -, considerado o relógio biológico circadiano para os mamíferos. Razões que impeçam o indivíduo de dormir à hora habitual afetam consideravelmente o equilíbrio psicossomático e os efeitos adversos da interrupção do ritmo circadiano, como o trabalho noturno, por exemplo, e repercutem negativamente no período de vigília6.

Durante o sono ocorrem vários processos metabólicos necessários ao bom funcionamento do organismo. Considera-se que o início do sono esteja relacionado com a atividade de fatores metabólicos endógenos produzidos durante o período de vigília. Nesse período os metabólitos se acumulam no cérebro como consequência da atividade neuronal aumentada nas estruturas promotoras da vigília, bem como do aumento global da atividade dos neurônios. O lento acúmulo desses fatores metabólicos aumenta a inércia do sono e, quando o nível torna-se criticamente alto, o cérebro responde diminuindo as atividades neuronais nas regiões promotoras de vigília. A diminuição na atividade neuronal determina o fim da vigília e inicia o processo passivo do sono. Por sua vez, durante o sono os metabólitos alcançam nível criticamente baixo, o que acarreta desinibição da atividade neuronal nas regiões cerebrais promotoras de vigília, aumentando a atividade nas regiões cerebrais promotoras dos estados comportamentais de vigília7. Nos últimos anos pesquisas identificaram alguns fatores metabólicos iniciadores do sono: adenosina; aminoácidos neuroinibitórios, ácido gama-aminobutírico (GABA) e glicina; prostaglandina D2, citoquinas; e o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α)8, 9.

Durante o sono são identificados dois estados comportamentais: o sono sincronizado ou no-rapid eye movement (NREM) e o sono dessincronizado ou rapid eye movement (REM). O sono NREM caracteriza-se por atividade elétrica cerebral síncrona com elementos próprios e é dividido em estágios I, II, III e IV, que representam progressivamente a profundidade do sono. Nele também ocorrem diminuição da atividade do sistema nervoso autônomo simpático e aumento do tônus parassimpático para níveis mais elevados que durante a vigília. Frequências respiratória e cardíaca, débito cardíaco, pressão arterial, diâmetro da pupila, movimentos intestinais e resistência galvânica da pele permanecem sem mudanças abruptas. O sono REM, por sua vez, caracteriza-se pela chamada dessincronização eletroencefalográfica, que se manifesta quando ocorrem episódios de movimentos oculares rápidos, breves abalos musculares de membros e atonia muscular, tornando a musculatura esquelética paralisada. Há instabilidade do sistema nervoso autônomo simpático, com variações de frequências cardíaca e respiratória, débito cardíaco, pressão arterial, fluxo sanguíneo coronariano e cerebral, tamanho pupilar e ereções penianas. Já o tônus do sistema parassimpático é essencialmente o mesmo do sono NREM10, 11.

Os estágios do sono ocorrem de maneira cíclica durante a noite (ciclo ultradiano), iniciando- se com a sucessão de estágios NREM de um a quatro. Cerca de 80 minutos depois ocorre o primeiro período de sono REM, normalmente de curta duração. Ao longo da noite, os períodos de sono REM vão se tornando mais prolongados, sendo que o sono delta (estágios III e IV NREM) quase não ocorre no final do período de sono. Desse modo, o sono delta predomina no terço inicial da noite e o sono REM, na segunda metade. Períodos de sono NREM e REM se alternam a cada 70 a 110 minutos, com quatro a seis ciclos por noite. Em média, o tempo total de sono subdivide-se em cerca de 2% a 5% de estágio I, 45% a 55% de estágio II, 3% a 8% de estágio III, 10% a 15% de estágio IV e 20% a 25% de sono REM12.

Embora não seja responsável pela produção de hormônios, o sono atua como facilitador de sua produção. Entre esses podem ser destacados o hormônio do crescimento (GH), que tem sua concentração aumentada durante os estágios mais profundos do sono e é secretado de forma rítmica pela hipófise a cada 2 horas; a melatonina, sincronizadora do ritmo sono-vigília e de vários ritmos biológicos, como a temperatura corporal; o hormônio liberador de corticotropina (CRH) e o hormônio adrenocorticotrópico (ACTH); além do cortisol. Todos apresentam alterações cíclicas durante as 24 horas. Portanto, quando se desorganizam os hábitos de sono, pode haver modificações na produção desses hormônios com as respectivas manifestações clínicas a eles associadas4, 13.

Existem dois mecanismos biológicos que, em consonância com os estímulos ambientais, são responsáveis pela regulação do sono: o circadiano (processo C) e o homeostático (processo S). O processo homeostático relaciona-se com o aumento da propensão ao sono durante o dia e sofre o efeito de possíveis débitos de sono. Já o processo circadiano é responsável pelo aumento da propensão do sono na fase escura do dia. Na adolescência, identificou-se maior lentidão na inibição da secreção de melatonina no início da fase clara do dia, especialmente nas etapas tardias da puberdade, bem como um acúmulo mais lento da propensão para o sono durante o dia, o que pode levar a um atraso de fase14. Portanto as mudanças biológicas e comportamentais que ocorrem durante a adolescência levam a um atraso de fase que, de acordo com os contextos social e escolar, refletirá em diminuição das horas de sono e aumento da sonolência diurna excessiva15, 16.

Como resposta ao estresse, que aumenta a secreção de cortisol na circulação, podem-se verificar supressão de sono REM, aumento do sono superficial e dificuldade em adormecer e permanecer dormindo. Considerando-se as condições atuais de vida associadas à quantidade de compromissos e tarefas a serem realizadas, os adolescentes estão sujeitos a um dos efeitos principais do estresse, que é a redução da qualidade e da quantidade de sono.

A falta de sono provoca diminuição do metabolismo nas regiões frontais (responsáveis pelo planejamento e pela execução de tarefas) e no cerebelo (centro de coordenação motora), levando a dificuldades em acumular conhecimentos, alterações do humor e comprometimento de criatividade, atenção, memória e equilíbrio. Por outro lado, menos sono significa menores níveis circulantes de leptina, inibição da produção de insulina e aumento do cortisol e da grelina17.


O ADOLESCENTE E O SONO

A adolescência é caracterizada por importantes mudanças biopsicossociais, cognitivas e comportamentais, inclusive em relação ao padrão do ciclo vigília-sono. Entre as diversas modificações estruturais que ocorrem no corpo, descobertas recentes apontam que, no início da puberdade, o volume de massa cinzenta existente nos lobos frontal e parietal atinge um pico, decrescendo posteriormente, e que tal tecido é sensível às variações sofridas pelo organismo, inclusive relacionadas com o sono.

O sono desempenha papel importante no desenvolvimento físico e emocional dos adolescentes, que estão em um período de intenso aprendizado e diferenciação. O adolescente é um ser biologicamente programado para dormir e acordar mais tarde, sendo que na maior parte da manhã seu cérebro não está em estado de vigília. Paradoxalmente, porém, nos tempos atuais, vários elementos concorrem para que o adolescente não consiga dormir adequadamente, tendo em vista as pressões sociais que aumentam suas atividades, como uso excessivo de computador e telefone, novos relacionamentos afetivos, frequência a festas etc. Todos esses fatores determinam diminuição do tempo de sono noturno e consequente sonolência durante o dia5, 6.

As atividades sociais e os hábitos em geral têm migrado para horários cada vez mais noturnos, enquanto as aulas começam cedo, levando a importante diminuição das horas de sono e persistente débito de sono no decorrer da semana18, 19.Por sua vez, a era tecnológica causou grandes transformações na vida contemporânea devido à introdução da televisão e, mais recentemente, dos microcomputadores nos lares. Com o crescimento da internet o hábito de surfing in the web por longos períodos é cada vez mais intensificado, principalmente entre adolescentes, que "navegam" quase a noite inteira, em detrimento das horas regulares de sono para um bom desenvolvimento físico e psicológico. Alguns dos grandes desafios atuais para os adolescentes contemporâneos são tentar manter a regularidade do ciclo sono-vigília, atender às demandas sociais e satisfazer suas necessidades de sono20, 21.

As principais características do ciclo sonovigília em adolescentes incluem ir para a cama mais tarde, levantar-se cedo, apresentar padrões de sono irregular, períodos de sono insuficiente e sonolência durante o dia. Adolescentes são bastante vulneráveis a distúrbios do sono, principalmente insônia. Estima-se que entre 14% e 33% dos jovens se queixam de problemas de sono, enquanto 10% a 40% dos estudantes do ensino médio apresentam moderada ou transitória privação ou insuficiência de sono, além de dificuldades no desempenho escolar e no comportamento e distúrbios do humor durante o horário diurno22.

A duração do sono noturno desempenha papel importante na saúde dos adolescentes, que estão em um período de intenso aprendizado e diferenciação, tem impacto significativo em seu bem-estar físico e psicológico e está associada a problemas comportamentais e neurocognitivos, principalmente distúrbios de aprendizagem e déficit de atenção23. Estudos têm sugerido que os adolescentes precisam de 9 a 9,5 horas de sono por noite e, quando isso não ocorre, eles podem apresentar maior sonolência diurna, dificuldades de atenção e de concentração, baixo desempenho escolar, além de flutuações do humor, problemas comportamentais, depressão, predisposição a acidentes, atraso no desenvolvimento puberal, maior ganho de peso e uso de álcool e substâncias psicoestimulantes5, 24, 25.

Além do impacto desses fatores biológicos e ambientais, demandas sociais, como tarefas em casa, atividades extracurriculares e trabalho após os horários de escola, podem afetar significativamente os padrões de sono dos adolescentes. Grande variabilidade é encontrada nos padrões de sono-vigília durante a semana, associada a hábitos de dormir até mais tarde nos finais de semana, como se fosse possível compensar o débito de sono acumulado. Esse fenômeno, denominado oversleeping, contribui para o rompimento do ritmo circadiano e a diminuição dos períodos de vigilância diurna26.

O aumento das proporções de peso e de altura é um dos principais fenômenos que ocorrem durante a adolescência e está diretamente relacionado com a ação do GH, que tem sua secreção afetada por vários estímulos externos, entre eles o sono. A secreção de GH na adolescência ocorre principalmente durante as horas de sono profundo, sendo 80% da sua concentração liberada em um ou dois pulsos,durante os períodos de estágios III e IV do sono em cada noite27.

Enquanto crianças são seres predominantemente matutinos, pois dormem e acordam mais cedo, os adolescentes vão se tornando mais atrasados durante a puberdade, atingindo o máximo da vespertinidade próximo dos 20 anos de idade, sendo que as moças atingem esse pico antes dos rapazes, o que também pode ser considerado um marcador do final da adolescência28.

As horas de sono na adolescência têm diminuído com o passar dos anos. Dollman et al.29compararam a duração de sono em uma amostra de jovens australianos de 10 a 15 anos entre os anos de 1985 e 2004. Os autores observaram diminuição nas horas de sono na segunda avaliação quando em comparação com a primeira. Além disso, os meninos dormiam mais tarde que as meninas em 2004, diferenças essas não constatadas na primeira avaliação. Entre os adolescentes, atrativos noturnos como televisão, jogos e internet causam atraso na hora de dormir nos dias de semana e finais de semana e um horário de acordar mais tarde nos finais de semana. Nos dias de semana, os horário escolares impõem o despertar mais cedo, diminuindo o tempo na cama e as horas de sono, contudo a necessidade de sono não diminui no decorrer da adolescência30.


CONCLUSÃO

Para que o ser humano possa viver em harmonia consigo e com seu ambiente é necessário que cumpra adequadamente um período diário de sono. Os eventos físicos e emocionais que ocorrem na segunda década da vida, associados ao estresse das demandas sociais, tornam o adolescente um indivíduo com dificuldades em organizar sua agenda diária, inclusive quanto aos períodos de sono.

Diante disso é importante que se conheçam as características específicas do ciclo sono- vigília e dos eventos que ocorrem durante a adolescência para que seja possível oferecer orientações sobre como dormir bem e desfrutar dos benefícios que o sono proporciona ao organismo. Ademais, esse histórico de vida deve permitir um completo entendimento das atividades educacionais, sociais e profissionais, quando for o caso.

Deve ser lembrado que o adolescente vive em um mundo desafiador, dinâmico e estimulante, que oferece informações ininterruptamente, competindo com as orientações que o hebiatra pode fornecer. Nesse momento, é fundamental que os profissionais estabeleçam uma ótima relação com seus pacientes e que prevaleça o diálogo franco e responsável.

Trabalhar com o adolescente de modo que ele entenda conceitos como "horas de sono perdidas não são recuperadas" e que os períodos de sono posteriormente programados não irão compensar uma noite mal dormida é a chave para se iniciar uma boa higiene do sono. Além disso, considerar que práticas adequadas de atividades físicas regulares por tempo superior a 60 minutos, redução do tempo de ociosidade em frente ao computador e à televisão e uma rotina mínima no período noturno podem contribuir bastante para que o período de sono seja satisfatório.


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Professor, Doutor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil.

Luiz Antonio Del Ciampo
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo
Avenida Bandeirantes, 3.900
Ribeirão Preto, SP, Brasil. CEP: 14049-900
delciamp@fmrp.usp.br

Recebido em: 23/01/2012
Aprovado em: 04/05/2012
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